|
Pirataria:
quem paga a conta?
 |
| André
Abrantes é DJ, jornalista, assessor de
imprensa , possui um acervo de mais de 5.000 CD's
e é devoto de Nossa Senhora Desatadora de
Nós. |
A
profecia aconteceu. Depois de muito falatório
a respeito do temor da pirataria, finalmente ela começa
a dar sinais de que impérios vão cair.
É certo que as indústrias estão
tentando conter os falsificadores mas, até agora,
quase nada foi feito. As gravadoras apostam desesperadamente
em alternativas para que o consumidor pense duas vezes
ao adquirir um CD no camelô. Foi disco lançado
com fotos dos artistas, tickets para participarem de
fã-clubes, capas diferenciadas e... nada! A bola
de neve só vem aumentando.
A gigante Virgin vem lançando os seus CDs com
uma nova tecnologia, produzida pela Carbon Neutral,
que tenta impedir que o consumidor faça cópias
digitais. Bem, foi tentado na prática fazer uma
reprodução e, aos ouvidos humanos, a diferença
é imperceptível. Um dos maiores prejuízos
da falsificação de produtos licenciados
está no pagamento de 2% a 12% de royalties que
as empresas formais pagam para utilizar determinadas
marcas.
A situação é ainda mais grave quando
se fala em um país onde o desemprego explode
a cada esquina. Intérpretes, autores, profissionais
de marketing e distribuidores de discos são os
que compartilham boa parte dos prejuízos da indústria
fonográfica. Juntos, esses serviços ligados
à música representam 45% do custo de venda
de um CD. A pirataria já representa 53% do mercado
fonográfico brasileiro. O que significa que se
esse percentual fosse reduzido a 27%, o mesmo patamar
de países desenvolvidos, o faturamento do setor
saltaria para R$ 1,8 bilhão e geraria 30 mil
empregos diretos no País.
Os focos onde a situação da pirataria
musical é mais grave concentram-se em São
Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre
e Fortaleza. A capital paulista, além de ser
o maior mercado consumidor de CDs piratas, também
é um verdadeiro centro de distribuição
desses produtos ilegais. Atualmente, a situação
do combate à pirataria chegou ao ponto em que
alguns especialistas acreditam que o melhor a fazer
é admitir a derrota em vez de deixar ainda mais
rígidas as leis de direito autoral - leia-se
copyright. Só pra se ter uma idéia do
que este artigo está tentando explicar, no Brasil,
a cada 10 games, 9 são piratas, de cada 10 softwares,
6 são piratas, de cada 10 CDs, 5 são piratas
e atualmente com a facilidade e maior divulgação
do DVD, de cada 10 originais, 3 são piratas.
(Fonte: The Business Software Alliance (BSA), International
Intellectual Property Alliance (IIPA), Associação
do Vestuário (Abravest), Associação
Brasileira das Empresas de Software (Abes)).
Quando foi decretado o falecimento do vinil e o nascimento
do CD, o ataque dos falsificadores parecia algo distante.
Não adiantou, eles chegaram junto. Agora, vem
o DVD e, mais uma vez, os cientistas e empresários
acreditaram na invencibilidade. Erraram de novo. Foi
só um empurrãozinho da mídia e
das empresas fabricantes na divulgação
de seus lançamentos para que os falsificadores
entrassem em ação.
Para se ter uma idéia na roubada que é
quando alguém pensa que tá levando vantagem
ao comprar um piratão, preste atenção
nestes dados: os DVDs possuem capacidade para armazenar
o conteúdo de 25 CDs, são gravados digitalmente
com o emprego de raios laser, e seu conteúdo
é totalmente digital. Com toda essa complexidade,
eles não ficaram invulneráveis em mãos,
digamos, ainda mais habilidosas. Os computadores mais
caros, já saem de fábrica com leitores
e gravadores de DVD. A maioria dos falsificadores copia
o conteúdo da imagem numa resolução
mais baixa e com um único canal de som original.
Depois, com a ajuda do programa DVD-Squeeze, o filme
é armazenado num CD comum regravável e
bem vagabundo, que custa R$1,00, em média. Logo,
vai prá rua com um preço por volta dos
R$10,00. Nada mal. Lucro de 900%. Por outro lado, o
cliente acha que tá se dando bem, mas na verdade
tá levando dor de cabeça prá casa,
devido ao material ser de péssima qualidade.
A razão? Simples, o DVD pirata com o tempo solta
partículas que danificam a leitura ótica
do aparelho DVD prá sempre. Como se dizia antigamente:
O barato sai caro.
A pirataria e o contrabando no Brasil causam prejuízos
anuais de US$ 20 bilhões, cifra que representa
um terço das exportações brasileiras.
O crime atinge quase todos os setores da economia, sendo
responsável pela não criação
de 1,5 milhão de empregos. É admissível
que a luta para combater a falsificação
de produtos está longe de terminar, principalmente
por causa do alto grau da economia informal no país,
que em algumas cidades chega a 40%. Lamentavelmente,
o Brasil vem ocupando o segundo lugar no ranking da
pirataria, que corresponde a US$ 300 milhões
em prejuízos e não crescimento.
O crescimento deste mercado ilegal nos últimos
cinco anos, foi responsável pelo fechamento de
aproximadamente dois mil pontos de venda de discos,
redução de cerca de 30% do número
de funcionários das gravadoras, diminuição
de 18% no numero de artistas contratados, redução
de 7% no numero de lançamentos entre outros pontos
que de uma forma ou de outra atingem a todos nós.
Pirataria é crime. Denuncie: denuncia@apdif.org.br
André
Abrantes
|