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| Camilo
Rocha envia toda semana as novidades do mundo eletrônico
e alternativo |
SOFT CELL: BEM-VINDOS DE
VOLTA
Quando
vi o line-up do próximo festival Homelands, na Inglaterra,
o nome que me deixou mais emplogado não foi o hypado
Basement Jaxx, nem o estupendo Carl Cox ou mesmo o imprevisível
Laurent Garnier. O nome que realmente botou um sorriso de
satisfação na minha cara foi o Soft Cell. Bom,
para aqueles que ainda não sabiam, sim, eles voltaram.
No segundo semestre do ano passado, lançaram uma coletânea
com seus singles (e as versões remix da época)
e desde então tem feito shows por aí.
O
Soft Cell tem direito a um lugar de honra na história
da música eletrônica, da cultura noturna e até
dos ícones alternativos do pop. Na virada dos anos
80, a dupla integrada pelo dramático cantor Marc Almond
e o genial instrumentista eletrônico Dave Ball lançou
um tecno-pop inventivo que falava sobre as criaturas da noite,
glamour decadente, solidão urbana e sexo bizarro. Com
melodias infalivelmente pop, consegiram levar seus temas pouco
familiares para o topo das paradas pop. Melhor ainda era o
fato de que Almond era ostensivamente gay.
Tainted
Love (cover de uma obscura canção soul de
Gloria Jones) é tão boa que nem o fato de que
ela já foi tocada milhões de vezes em noites
de revival dos anos 80 consegue estragar sua magia. Melhor
ainda é a versão "extended" (em 1982
a palavra remix não era muito usada) onde ela embarca
numa jornada sintética até virar uma versão
de Where Did Our Love Go?, o clássico de Diana
Ross e Supremes. Tainted Love foi um hit mundial, sendo
o single mais vendido de 1981 no Reino Unido.
Outro
pico de genialidade foi atingido em Torch, com seu
trumpete imortal e riff de teclado perverso. Também
é necessário conhecer a belíssima balada
Say Hello Wave Goodbye, a emotiva Where The Heart
Is, o pop faceiro de What?, a noiada Memorabillia
e a agoniada Bedsitter. Várias estão
nos seus dois primeiros álbuns Non-Stop Erotic Cabaret
e The Art Of Falling Apart. Infelizmente, seu álbum
seguinte e derradeiro, This Last Night In Sodom, não
alcançou as mesmas alturas. Sem condições
(ou disposicão) de lidar com a fama repentina e perturbados
pela mídia, que só queria tratar da sexualidade
de Almond (imagine o escândalo que deve ter sido um
popstar como Almond e sua temática em 1983), o Soft
Cell preferiu sair de cena.
Marc
Almond embarcou em dezenas de projetos solo nos anos consecutivos,
com variados graus de sucesso. Ball também tentou outros
projetos, sendo o mais bem-sucedido o The Grid, que na primeira
metade dos anos 90 teve hits na Inglaterra como Swamp Thing
e Flotation Já nos seus primórdios, o
Soft Cell lidou com dois elementos bem conhecidos e triviais
para o mundo eletrônico de hoje: o ecstasy e o remix.
Em suas muitas temporadas em Nova York, a dupla tomou muita
pastilha e até botou sua traficante, Cindy Ecstasy,
para fazer um rap numa versão de Memorabillia.
Outra referência óbvia está no título
de seu álbum de remixes de 1982, Non-Stop Ecstatic
Dancing. Esse álbum foi uma prova evidente da importância
que eles davam para as pistas de dança.
Marc
Almond mostrou que sua antena continua ligada nos movimentos
noturnos de hoje ao gravar o single Soul On Soul, para
o selo International Gigolo Deejays, do DJ Hell (não
podia ser outro lugar, o IGD é a principal casa dos
apaixonados pelos anos 80). Com 10 milhões de álbuns
vendidos nas costas e uma influência que vai de The
Hacker a Felix Da Housecat, o Soft Cell é a melhor
volta dos últimos cinco anos, agora num mundo bem mais
preparado para aceitá-los como eles são.
CAMILO
ROCHA
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