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| Camilo
Rocha envia toda semana as novidades do mundo eletrônico
e alternativo |
ELETRÔNICA DEVAGAR
Um
dos endereços mais manjados da música eletrônica
é o Café Del Mar, em Ibiza. Só que, ao
contrário de outros endereços famosos como Ministry
of Sound ou Pacha, o Café Del Mar não tem uma
pista bombando nem um sistema de som possante. Também
não fica aberto até altas horas. O Café
Del Mar é famoso pelas suas sessões de música
serena e aconhegante que culminam na hora em que o sol se
põe no mar. E é principalmente graças
a esse lugar que a música de chill out se popularizou
tanto de uns anos para cá.
Desde
o dia em que Paul Oakenfold resolveu colocar o DJ Alex Patterson
(The Orb) tocando música calma e viajante numa sala
da sua histórica noite Land Of Oz, em 1988, um mundo
paralelo de sons eletrônicos para relaxar e refletir,
tem acompanhado o frenesi das batidas de pista de dança.
Esse mundo é constituído de dub, ambient, breakbeats
versão light, trip hop, viajeira experimental e até
algum som acústico de vez em quando.
Em
inglês também são chamados de "downtempo",
que significa literalmente "andamento lento". Os
discos podem ser do Massive Attack, Zero 7, A Man Called Adam,
Air, Aphex Twin, Nightmares On Wax, Kruder & Dorfmeister,
até Radiohead, ou unsclássicos de caras como
Lee Perry, Brian Eno, Pink Floyd ou Marvin Gaye. Só
que essa vertente nunca deixou de ser um acessório
secundário perto dos batidões do house, trance,
tecno e drum'n'bass.
Quando,
este ano, o Ministry of Sound vendeu 300 mil cópias
do seu CD The Chill Out Sessions, todo mundo se deu
conta que o gênero tinha virado gente grande. Seguindo
a brisa suave, a revista inglesa Mixmag lançou uma
edição Chill
em setembro passado enfocando a onda de tranquilidade. Enquanto
isso, a série do Café Del Mar já passou
do oitavo volume e José
Padilla, seu fundador e ex-proprietário, é um
DJ de trânsito internacional.
Outra
série que tem feito sucesso é a Back To Mine,
onde
DJs conhecidos fazem seleções de sons bons de
ouvir estirado no
sofá. No
Brasil, super servido de praias e pores-do-sol maravilhosos,
o conceito
Café Del Mar até que demorou para chegar. Mas
já chegou chegando.
É a bandeira de três marcas de bebida associando
seu nome
com a música eletrônica: Bavaria, Chivas Regal
e Skol.
A
primeira, no projeto Bavaria Vibe, traz Bruno Lepetre, residente
do Café Del Mar, para tocar em Búzios, Maresias
e Bahia, além de Chris Coco, editor da Muzik e residente
do Ministry of Sound, que tem uma rádio de chill out
no site do mega-clube. Ano que vem, a Bavaria realiza mais
de 20 eventos com DJs tocando em praias no fim de tarde.
Já
o Chivas Aftershow banca a vinda da dupla norueguesa Illumination,
destaque da música horizontal. Será o lançamento
oficial do volume oito do CD Café Del Mar no Brasil.
E a Skol realiza o Skol Spirit, uma sequência de festas
de entardecer que deve durar o verão inteiro e tem
entre as atrações os DJs Pete Lawrence e Pathaan.
O
movimento do eletrônico devagar tem potencial para conquistar
muitos
novos fãs para a música eletrônica por
aqui, afinal ouvir um bumbo
socando até as nove da manhã numa rave realmente
não é para
todo mundo. Muitos baladeiros mais velhos também tendem
a migrar
para águas mais calmas depois de anos no olho do furacão.
O Brasil
tem também uma forte tradição de música
sossegada, como bossa
nova e MPB. Mas, realmente, o mais animador disso é
que o longo
monopólio do reggae no litoral brasileiro pode chegar
ao fim.
CAMILO
ROCHA
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