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SOM LATINO JÁ DEU

O DJ e produtor Marco Bailey passou por aqui semana passada causando devastação nas pistas da Bunker, no Rio e da Lôca, em São Paulo. Seu set na Lôca incluiu até Blue Monday, do New Order. Bailey é um dos produtores mais em ascenção no tecno no momento.

Deve-se reconhecer que o cara trabalha para isso. Seu selo Session, uma parceria com o produtor e amigo das antigas Redhead, lançou um dso giga-sucessos do tecno em 2001: o hard samba de Latin Loopworks, de Tomaz & Filterheadz (ver Rádio Bits). "Esse disco vendeu mais de 10 mil cópias" contou ele para o Bits. "Foi um recorde para o selo. Foi um hit enorme por toda parte e fiquei muito feliz também porque os caras que fizeram são bons amigos meus."

Ano passado ele também começou o selo Pornographic com outro amigo, o prodígio espanhol Cristian Varela. O logo é singelo: são dois bonequinhos(as) de rabisco, com um de joelhos pagando um boquete para o outro. "O ano passado foi muito bom", Marco comentou. "Além de ter começado o Pornographic, foi a primeira vez que toquei em todos os principais festivais da Europa."

Esse ano ele deixa o Session de lado para começar um selo só seu, o MB Electronics. O primeiro lançamento do MB sai em fevereiro. Será uma produção dele mesmo, com remixes de Zzino e Tom Hades. "Queria fazer um selo só meu, já que os outros são em parceria com alguém. Às vezes, você tem uma idéia que é só sua e você tem que trabalhá-la sozinho," ele reflete.

E donde veio a tendência dos loops de samba e música latina no tecno, impulsionada em boa parte por Latin Loopworks? "Acho que foi um disco do selo Bush, Love Story. Daí veio o remix do Adam Beyer para Manipulated, do Ben Sims", sugere Marco. "E ai vários produtores ao mesmo tempo começaram a ir atrás desse som. Mas para este ano já deu, não dá mais para ficar sampleado loops latinos."

Seus produtores preferidos no momento são Umek ("produção impecável, som limpíssimo") e Speedy J ("tudo que ele faz a gente para para ouvir").

A que ele atribui a fase super saudável e criativa que o tecno vem passando no momento? "Ficou muito mais fácil fazer boa música hoje com os softwares que estão saindo e todos esses samples disponíveis na internet. Acho que a qualidade fica praticamente igual" admite. "Só que ainda sou um purista [de teclado] analógico, o som parece mais quente, a maneira de mudar os filtros é melhor. Mas se a evolução do software continuar como está, em cinco anos, 50% do que se produz será tudo feito no computador."

CAMILO ROCHA

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