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Camisetas politizadas mostram o lado engajado da moda

Uma das fotos mais divulgadas dos desfiles da SP Fashion Week - Inverno 2003, foi a da camiseta da Vide Bula, com o presidente Bush caracterizado de palhaço (foto: divulgação)

A camiseta pode ser considerada hoje a peça de roupa mais versátil que existe e também a mais democrática. Além de ser fácil de usar, barata e confortável, a camiseta serve também de veículo de comunicação. Desde os anos 60 a camiseta tem sido usada para passar mensagens políticas.

Katherine Hamnett, designer e ativista política britânica, fez fama nos anos 80 com suas camisetas com slogans politizados. Hamnett nunca deixou de mostrar suas convicções políticas, através de suas camisetas, e também de campanhas que ela promove, como a campanha que ela tem promovido para levantar fundos para os refugiados da guerra do Afeganistão. E na recente edição Inverno 2003 da London Fashion Week, Katherine mostrou uma nova leva de suas já consagradas camisetas, desta vez com dizeres contra a Guerra no Iraque.

Na mais recente edição do São Paulo Fashion Week uma das fotos mais divulgadas na imprensa foi exatamente a de uma camiseta, do desfile da grife Vide-Bula, de Minas Gerais. A camiseta mostra

Katherine Hamnett (à esquerda) mostrou mais uma vez seu lado politizado, na última London Fashion Week. À direita a modelo Jodie Kidd

a foto de George Bush com um nariz de palhaço. Foi o momento politizado do evento, em um desfile que remeteu aos hippies anos 60 e também à cultura punk dos 70 e 80, dois momentos em que a camiseta se tornou uniforme obrigatório, com design e dizeres característicos.

No evento Amni Hot Spot, o desfile que causou comoção e polêmica foi o do artista plástico Adriano Costa, que mostrou apenas camisetas, todas com dizeres de efeito.

A tendência das camisetas andava dormente por alguns anos, substituida pela febre de logomarcas. A insanidade em relação às logomarcas, com camisetas “merchandising” com marcas de grandes conglomerados de moda, como Gucci ou Giorgio Armani, deu lugar a uma

O DJ Eduardo Corelli, usando camiseta de Adriano Costa, com estampa feita de silk screen, calcado em cartaz da Praça da Sé (SP)

tendência de uso de camisetas surradas, compradas de segunda-mão e com dizeres os mais corriqueiros. Um sinal dos tempos, quando o mundo caminha para um conflito de proporções inimagináveis, e num clima econômico bem pouco

favorável às grandes corporações da moda mundial, e a mania da logomarca sai de cena, dando espaço à tendência da camiseta customizada, com os mais diversos dizeres e designs, mostrando a preocupação global com a paz mundial ou colocações menos globalizadas.

Beth Ferreira

 

 

 

 

 








 
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