X Parada do Orgulho GLBT de São Paulo vai pra rua
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Casal de meninas celebrando a diversidade na maior parada gay do mundo (foto: CMI)
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Foram dois meses de intensa negociação, com impedimentos das mais diversas formas da Prefeitura da Cidade de São Paulo para tomar o controle da Parada. Há a 35 dias da manifestação, a Associação da Parada foi obrigada a assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para ter a sua realização autorizada. Esse termo dificulta a realização das próximas Paradas na Paulista, responsabiliza a Associação da Parada pela limpeza das vias públicas e estabelece multa de R$ 30.000,00 para qualquer infração de horários ou termo descumprido do TAC. A Prefeitura chegou à ameaçar que assumiria todas as responsabilidades contidas no TAC com a ajuda de empresários, numa clara tentantiva de assumir o controle político da Parada.
Assinado o TAC pela Associação, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) ainda tentou impedir a Parada cobrando uma taxa de aproximadamente R$ 80.000,00 para a sua realização, que ainda não foi flexibilizada e deve custar muito trabalho aos organizadores, que não têm recursos para o pagamento da mesma e devem agir judicialmente nesse sentido. Mesmo assim, a Parada saiu, com o tema "Homofobia é Crime: Direitos Sexuais são Direitos Humanos!", e reuniu cerca de 2,5 milhões de pessoas, cumprindo o que foi estabelecido por meio do TAC, com a colaboração da comunidade GLBT, que se mostrou solidária durante toda a Parada. Quem não cumpriu o estabelecido foi a Prefeitura: ao invés de garantir o mínimo de efetivo de segurança e atendimento médico necessário e solicitado inúmeras vezes pelos organizadores, a prefeitura preferiu investir recursos num trio elétrico da sua Coordenadoria da Diversidade Sexual, numa área VIP com 2 TVs de 42", e num palco utilizado pela imprensa, sendo que ambos não foram sequer comunicados à organização. Os próprios voluntários da Associação da Parada se desdobravam, a certa altura, para auxiliar as poucas ambulâncias a prestar primeiros-socorros para quem passava mal durante a manifestação.
Terminada a Parada, continua uma relação conflituosa com a Prefeitura de São Paulo que, na mesma linha que vêm seguindo, negando o direito à cidade e a ocupação legítima do espaço público, já declarou que "não deve haver mais parada na Av. Paulista". Parece que não vai ser tão fácil assim: a Parada saiu aos gritos de "A Paulista é nossa", mostrando a disposição da comunidade GLBT em continuar ocupando os espaços públicos.