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Marcelo Sommer deixa definitivamente sua marca - Thais Losso assume a criação da Sommer

Beth Ferreira

Inverno 2006 da Sommer - peças podem não chegar às lojas

Confirmado: como havia sido antecipado aqui no Bits em janeiro, Marcelo Sommer sai da direção criativa de sua própria marca. O site Erika Palomino publlicou uma carta do diretor de teatro (e de desfiles) Alberto Renault, comentando a saída do estilista da marca que leva seu nome, anunciada oficialmente semana passada.

O belíssimo desfile que encerrou a semana de moda paulista para o inverno 2006, em janeiro, foi marcado pela tensão. Marcelo Sommer, criador da grife e estilista, responsável por alguns dos melhores momentos das semanas de moda nacionais, mostrou um desfile emocionante, onde o cinza foi o tom predominante, o balonê a forma onipresente na coleção feminina, e os grandes volumes na coleção masculina. Vinho e rosa bebê fizeram o contraponto num momento marcado pela melancolia em cenografia que fez chover, a cargo de Alberto Renault. A coleção, no entanto, pode não estar nas lojas neste inverno, substituida por peças mais básicas, criadas por outro estilista.

A grife Sommer foi vendida em 2004 para o grupo AMC Têxtil, que também dirige as grifes Carmelitas e Colcci, esta com pretensões internacionais: pretende agitar o mercado europeu este ano, começando pela Espanha, o que deve justificar a contratação de Gisele Bündchen.

Como já se viu no exterior várias vezes, estilistas respeitados como Sommer às vezes não se adequam às condições mercantilistas de grandes empresas quando vendem suas marcas e passam a ser acionistas apenas, deixando o posto de diretor de criação. Esse tipo de negócio na indústria da moda envolve uma marca valorizada que é comprada por um grande grupo: o estilista entra na jogada na expectativa de aumentar suas vendas e continuar financiando sua criação e a empresa tem a expectativa de comercializar um produto que já vem com uma marca forte, na intenção de vender muito. O que acontece na prática na maioria das vezes são conflitos entre o espíritio criador do estilista e as metas de lucro dos grandes conglomerados de vestuário.

Se o estilista consegue criar uma linha que seja suficientemente simples para atender o gosto do público de massa a coisa vai bem, mas quando a sofisticação não pode ser traduzida em roupa vendável a coisa fica complicada. Infelizmente parece que a segunda opção é o que está acontecendo com a Sommer em entrevero que ficou visível nos bastidores da SPFW inverno 2006. No segundo semestre de 2005 a AMC Têxtil contratou para a marca Sommer outra designer de moda, Thais Losso, ex-Cavalera e ex-Zapping, para criar peças de vestuário menos conceituais e mais próprias para a venda em massa, já que as criações de Marcelo não estavam respondendo bem em termos de vendas. Do desfile que ocorreu no encerramento do evento de moda em S.Paulo, elogiadíssimo, pouco deve ir às lojas, a não ser as estampas e padronagens que serão adaptadas por Thais em peças menos “difíceis”, por assim dizer.

No mundo da moda não é novidade o que está acontecendo com Sommer. As grifes do austriaco Helmut Lang e da alemã Jill Sander passaram por isso depois de vendidas para o grupo Prada: os estilistas acabaram deixando seus postos após vários desentendimentos. O japonês Kenzo, nos anos 90, também deixou de ser o criador de sua própria marca. Nos anos 70 Halston, que foi o estilista da era disco, com criações usadas por Liza Minelli, Bianca Jagger e demais freqüentadoras ilustres do templo noturno Studio 54, acabou perdendo totalmente sua própria marca para a empresa de varejo JC Penney.

Mas nem todos estilistas se dão mal nos acordos com grandes empresas de moda. Alexandre Herchcovitch tem acordo com várias grandes empresas para a produção de linhas especiais de jeans, sapatos (Melissa) e casa (Tok Stok) e ainda desenha as coleções da Cori, que são assinadas “Cori by Alexandre Herchcovitch”. Isso tudo sem interferir em sua própria marca, que continua com total independência: essa Alexandre não vendeu. E é essa independência de criação que torna a marca perene.

No exterior os estilistas top atuais também trabalham ou emprestam suas marcas para produtos mais populares. Recentemente a grande cadeia de lojas européia H&M contratou Karl Lagerfeld e Stella Macartney para criarem linhas especiais de roupas para a loja.

Marcelo pode criar outra marca e a Sommer pode ser diluída nesse processo, afinal perde seu maior divulgador.

Veja fotos do mais recente desfile de Marcelo Sommer – coleção Inverno 2006


 
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