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Videobrasil completa 20 anos como laboratório da arte eletrônica brasileira - inscrições estão abertas para edição 2003 do evento

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Quem pensa que o aclamado diretor de cinema Fernando Meirelles, de Cidade de Deus, começou a carreira fazendo publicidade, está muito enganado. Fernando foi um dos precursores do que se chamou nos anos 80 de “vídeo independente”. Ao lado dos parceiros Marcelo Machado, Renato Barbieri, Paulo Morelli e Marcelo Tas ele tocava a produtora Olhar Eletrônico, que produziu programas, documentários e experimentais que marcaram a história da TV e do vídeo no Brasil.

Marly Normal, um dos vídeos da Olhar Eletrônico, dirigido por Marcelo Machado em 1983, foi vencedor do primeiro festival Videobrasil, que foi peça chave para uma ou mais gerações de diretores e produtores de TV, vídeo e cinema e marcou época na história da arte eletrônica no Brasil.

O vídeo independente brasileiro dos anos 80 não foi um movimento restrito a galerias de arte ou museus, como havia sido a gênese da arte em vídeo no Brasil, nos anos 60, nas mãos de artistas plásticos como Regina Vater, José Roberto Aguillar, Antonio Dias, Anna Bella Geiger e Regina Silveira, entre outros. As produções dos anos 80 tinham formato principalmente de documentário e com temas sociais e eram mostradas nos mais diversos espaços, incluindo a própria TV aberta, em emissoras menores e em horários alternativos.

Essa onda de vídeo independente dos anos 80 foi um movimento de gente bastante jovem que procurava explorar as possibilidades da mídia televisão. Na época não existia TV paga no Brasil e a estética de televisão era ditada pela “Vênus Platinada”, apelido que se dava à poderosa TV Globo. A estética do vídeo independente brasileiro acabou tendo esse contexto, de questionamento, tanto político, quanto à discussão da hegemonia da TV Globo e seu monopólio na TV brasileira nos anos 80, quanto estético, de quebrar padrões de qualidade de imagem vigentes e onipresentes na TV brasileira na época.

A Olhar Eletrônico ingressou na TV brasileira alavancada pelo sucesso no Videobrasil e com um espaço na TV Gazeta de São Paulo, no sábado de madrugada, dentro do programa Goulart de Andrade, o Comando da Madrugada. Posteriormente conseguiram um espaço próprio na TV Gazeta, com o programa Crig , que lançou os apresentadores Marcelo Tas (TV Cultura) e Sandra Annemberg (TV Globo).

O movimento do vídeo independente foi se diluindo nos anos 90, com a entrada no Brasil da MTV em UHF, em 1990 e da TV paga, dois anos depois, que acabaram absorvendo os novos diretores que surgiam, assim como a própria publicidade. Mas a estética ditada pelo vídeo independente é visível até hoje, inclusive absorvida pela TV aberta.

O Videobrasil continuou sua trajetória de laboratório da arte eletrônica brasileira. Hoje é internacional e cresceu para se solidificar como o maior festival de arte eletrônica da América Latina.

Este ano o Videobrasil completa 20 anos, com nome e atuação mais abrangentes: 14° Festival Internacional de Arte Eletrônica, englobando arte web, DVD e CD-Rom e reunindo artistas do mundo todo em São Paulo, de 22 de setembro a 19 de outubro, no Sesc Pompéia.

A Mostra Competitiva do Sul é o principal segmento do festival e este ano volta-se definitivamente para a arte eletrônica nascida fora do eixo EUA - Europa, com obras de partes distintas do planeta como
as nações África, América Central e Latina, Caribe, Oriente Médio, Sudeste Asiático, Oceania e Leste Europeu.

As inscrições estão abertas, inclusive podendo ser feitas via Internet (www.videobrasil.org.br) até dia 12 de maio. Das obras inscritas serão selecionadas 100, segundo mérito artístico, expressão, originalidade e criatividade.

Os artistas brasileiros selecionados para a Mostra Competitiva vão concorrer a um prêmio extra, além da premiação regular do festival. Esse prêmio especial é uma temporada de trabalho no centro francês Le Fresnoy, um dos mais importantes centros de mídia do mundo. Grandes nomes do cinema e da video-arte passaram pelo Le Fresnoy, como o canadense Atom Egoyan, o cineasta francês Jean-Luc Godard e o artista espanhol Antoni Muntadas. O artista premiado fará um workshop no Le Fresnoy, entre outubro e dezembro de 2004 e a obra realizada no centro de mídia será exibida na edição seguinte do Festival Internacional de Arte Eletrônica, passando a integrar o acervo da Associação Cultural Videobrasil.

Maiores informações no site oficial: www.videobrasil.org.br
Inscrições abertas até 12 de maio

Beth Ferreira

 

 
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