Oscar 2006 - Americanos usam sua maior festa para melhorar sua imagem internacional
A premiação do Oscar 2006, que acontece este domingo, com transmissão no Brasil pela TV Globo (com José Wilker e Renato Machado) e pelo canal de TV paga TNT (com Rubens Ewald Filho), além do pré show no tapete vermelho exibido pelo canal E! com participação de Isaac Mizrahi, promete ser um espetáculo como não se vê desde os anos 70 na maior festa do cinema americano. A política dá o tom, seja nos filmes indicados, como na escolha de Jon Stewart para apresentador da cerimônia.
Apresentador é um dos críticos mais afiados do governo Bush
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| Estreante no Oscar Jon Stewart, do Daily Show, já apresentou o Grammy duas vezes |
Jon Stewart é um dos mais controversos apresentadores e comediantes americanos da atualidade nos Estados Unidos. Responsável pelo programa Daily Show, do canal de TV paga americano Comedy Central e com uma edição global que vai ao ar no canal de notícias CNN (com apresentação no Brasil nos fins de semana), Stewart faz piadas, na maioria das vezes afiadas e engajadas, sobre todo tipo de assunto, mas principalmente a política. Seu maior alvo: o presidente Bush. A popularidade de Jon Stewart é tanta que transcende sua atuação na TV e já é um fenômeno na internet: clipes de seu programa Daily Show são dos arquivos mais baixados na internet.
Com uma lista de filmes tão políticos como os indicados deste ano, Jon Stewart promete uma bateria de piadas que devem atacar todas as camadas, mais que no ano passado, quando a cerimônia foi apresentada por Chris Rock, que concentra seu humor principalmente no racismo.
Jon Stewart vai precisar de muita sensibilidade. O Segredo de Brokeback Mountain, filme que concentra o maior número de indicações e é o favorito, virou símbolo da causa gay, e os ativistas vão estar todos de olho (bom lembrar que as bees são sempre as mais estridentes). Talvez por essa e por outras os textos de todos os participantes na festa do Oscar serão transcritos e passados à imprensa credenciada, durante e logo após a cerimônia.
Causa gay, questão da Palestina, racismo e globalização na pauta do Oscar 2006
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| Paradise Now - A história de homens bomba na Faixa de Gaza corre o risco de ser desclassificado como concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro |
Não é sem polêmica que uma edição tão política do Oscar vai se desenrolar no próximo domingo. Além da causa gay, representada por O Segredo de Brokeback Mountain, o conflito do Oriente Médio está presente em dois filmes indicados, mostrando os dois lados da moeda. Em Munique, Steven Spielberg mostra a ação contra-terrorista do Mosad, a agência de inteligência israelense, que nos anos 70 sai à cata dos assassinos dos atletas da Olimpíada de Munique. Paradise Now, indicado a melhor filme estrangeiro, mostra a vida de homens bomba provenientes dos assentamentos da Faixa de Gaza. O filme é uma co-produção de Israel, Alemanha, Holanda e França. Sim, você leu direito, co-produção israelense, falando sobre a Faixa de Gaza. O diretor Hany Abu-Assad é palestino, mas vive em Israel e tem passaporte israelense. O filme, indicado para a categoria filme estrangeiro pela Palestina, se ganhar pode não levar. Uma comissão de israelenses que tiveram filhos e parentes mortos em atentados a bomba, está se mobilizando com abaixo assinado para tentar impedir que o filme concorra, agora, às vésperas da premiação e com a votação já fechada. O argumento é que a Palestina é um território e ainda não tem autonomia como país. O resultado desta argumentação só veremos este domingo, durante a festa do Oscar 2006.
Ética, mídia, racismo e corrupção
Além da questão do conflito Israel/Palestina outros assuntos polêmicos são temas dos filmes indicados. Em Crash – No Limite, que pode ser surpresa na noite do Oscar, o racismo velado em Los Angeles é a tônica em filme que deu a Matt Dillon o melhor papel de sua carreira, como um policial racista. O filme vem também com uma polêmica interna: os produtores estão brigando na justiça e se o filme levar um prêmio domingo, não se sabe exatamente qual deles subirá ao palco para recebê-lo.
A ética na mídia é assunto de outros dois filmes que também concorrem. Em Capote, que conta a saga do escritor Truman Capote ao escrever o clássico A Sangue Frio, a questão é até que ponto o jornalista pode se envolver com o sujeito de sua matéria. A Sangue Frio é um dos livros que, na segunda metade do século XX, figuram como precursores do jornalismo literário, ao lado de obras de Tom Wolfe e Hunter Thompson. Capote mostra o escritor Truman intrinsicamente ligado ao assassino Perry, num momento baneficiando-o no processo judicial e em outo manipulando o criminoso para que sua história tenha um desfecho.
Boa Noite, Boa Sorte mostra a brava figura do jornalista e apresentador de TV da rede CBS, Edward R. Murrow, que enfrenta o temido senador Macarthy, responsável por perseguir artistas, jornalistas e escritores que podiam ter ligação com o comunismo. O filme deu a George Clooney suas primeiras indicações como diretor e roteirista, mas é sua terceira indicação, como ator coadjuvante no filme Syriana – A Indústria do Petróleo, que deve dar o Oscar ao ator/diretor/roteirista e produtor. Syriana - A Indústria do Petróleo fala sobre globalização e a questão do petróleo.
Não se pode esquecer de O Jardineiro Fiel, o filme de Fernando Meirelles que rendeu uma indicação de coadjuvante para a inglesa Rachel Weisz, além de roteiro adaptado, montagem e canção. Rachel vive uma ativista política que se casa com um diplomata britânico. Ela desvenda sozinha uma intrincada trama de corrupção envolvendo uma grande indústria farmacêutica e testes não autorizados em africanos. Rachel é a favorita na categoria atriz coadjuvante.
Direitos da mulher, castas sociais e violência
Charlize Theron está indicada ao Oscar pela segunda vez por seu papel em Terra Fria, filme onde ela interpreta uma operária que tem de brigar na justiça depois de sofrer assédio sexual. Este foi o primeiro caso de processo judicial por conta de assédio sexual nos EUA onde a protagonista Josey (Charlize Theron) tornou-se marco da história dos direitos femininos.
A questão da violência é retratada com maestria por David Cronenberg em Marcas da Violência, filme indicado por seu roteiro. E a questão das castas sociais na sociedade britânica é mostrada na refilmagem do clássico de Jane Austen, Orgulho e Preconceito e no mais recente filme de Woody Allen, Ponto Final.
No final muito mais diversão
Tem muito pano pra manga pra piadas engajadas de Jon Stewart e por essa e por outras a 78a edição do Oscar é imperdível. Com sorte a festa pode ter momentos históricos como quando Marlon Brando fez forfait e não apareceu pra receber seu Oscar por O Poderoso Chefão, nos anos 70. Ele acabou enviando uma índia cherokee para protestar. Jane Fonda, Susan Sarandon e Tim Robbins também protagonizaram discursos políticos durante suas falas ao receber o Oscar. Mas este ano a coisa promete ferver. Tony Kushner, roteirista de Munique, é também conhecido porta voz da comunidade gay. Foi ele que escreveu a peça Angels in America, que ganhou um prêmio Pulitzer em 1993 e fala sobre o flagelo gay pela AIDS nos anos 80. Só pra ter uma idéia dos convidados que vão participar da festa do Oscar 2006.
Antes de tudo, porém, tem o festival de amenidades, pra muitos mais diversão do que a própria festa. O tapete vermelho e a chegada das estrelas tem cobertura do canal E!, com Isaac Mizrahi na equipe. Mizrahi é o estilista novaiorquino que se reinventou como figura polivalente na mídia. Foi ele que agarrou o peito de Scarlett Johansson na festa do Globo de Ouro e que procurou indiscrições nas bolsas e na lingerie das convidadas. Promete… O canal mostra ainda, depois da premiação, as festas pós Oscar da Vanity Fair, de Elton John e a própria da Academia.
O que? Oscar 2006 - 78th Academy Awards - direto do Kodak Thatre - Los Angeles
Quando? Domingo,
5 de março.
Onde? TV Globo, após Big Brother (por volta de 23h), canal TNT (Net/Sky/TVA/Direct TV) a partir das 21h. Canal E! - tapete vermelho e festas pós-Oscar, a partir das 19h30min.
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