Se
para muitos estrangeiros aqui no Brasil se fala espanhol e
se dança rumba, um movimento muito forte de boas cabeças
pensantes do primeiro mundo tem mais e mais cultuado o Brasil.
Este ano de 2004 parece crucial nessa afirmação
do Brasil como pólo cultural, vide a exposição
Brasil 40 Graus em Londres e outras manifestações
na Espanha, em Portugal e na França.
Como sempre o carro chefe tem sido a música, que muitas
alegrias trouxe para a imagem do país, e muito respeito.
Tudo começou com a bossa nova, não, minto, e
o que foi Carmen Miranda e toda a onda de moda do samba bem
durante a época sombria da Segunda Guerra Mundial?
Quando começou não importa, mas alguns movimentos
da nossa música têm sido mais cultuados e apreciados
no exterior, impulsionando o sucesso deses mesmos artistas
aqui no Brasil.
Nos
anos 60 e 70 foi a bossa nova, que muito tem do jazz americano
e proporcionou muitas parcerias entre músicos e compositorers
dos dois países. Nos anos 80 e 90 a onda se intensificou
com iniciativas de vanguardistas estrangeiros como o roqueiro
David Byrne, dos Talking Heads, que fez várias parcerias
com músicos brasileiros, lançando música
nossa lá fora através de seu selo, o Luaka Bop,
que a poucos anos lançou fora do Brasil Tom Zé
e um antigo trabalho dos Mutantes. Outro que sempre nos apreciou
foi Peter Gabriel, mas sempre dentro de um espectro world
music. Caetano Veloso já é um nome internacional,
com fãs espalhados pelo mundo tudo, incluindo o Japão.
O carioca Seu Jorge é um dos mais recentes exemplos
de sucesso brasileiro no exterior. Na esteira da projeção
que lhe deu a participação no filme Cidade
de Deus o sambista acabou arrematando um papel ao lado
de Bill Murray no novo filme de Wes Anderson, Life Acquatic.
No filme, além de atuar, ele é responsável
por parte da trilha sonora, com quatro músicas, versões
em português (que ele escreveu) de canções
de David Bowie. E os dois, Bowie e Seu Jorge, vão se
apresentar juntos num show especial para o lançamento
do filme, previsto para setembro. O videoclipe da trilha com
Seu Jorge já está em exibição
na MTV Brasil.
A
música eletrônica brasileira chegou à
maturidade muito em virtude do sucesso no exterior e isso
só poderia ter acontecido no momento em que se juntaram
as batidas e grooves cibernéticos com a musicalidade
rica e diversa da MPB. Os primeiros desbravadores, que estão
levando nosso novo som mundo afora são os paulistas
Patife e Marky, mas uma nova leva de músicos e DJs
brasileiros vem experimentando com computadores, vocais, instrumentos
e percussões bizarras e regionais, com resultado de
qualidade fantástica.
A
música eletrônica brasileira chegou à
maturidade muito em virtude do sucesso no exterior e isso
só poderia ter acontecido no momento em que se
juntaram as batidas e grooves cibernéticos com
a musicalidade rica e diversa da MPB
O
Bits passa a mostrar esta semana a nova coluna Electro Brasil
com lançamentos de música eletrônica brasileira
que fazem bom uso do diálogo eletrônica/MPB,
e com outros estilos de música brasileira e latino-americana.
Esta semana falamos sobre In Rotation, da dupla Marky
e Xerxes, Tranqüilo, do carioca Marcelinho da
Lua, Mau # 1, do paulista Mau Sacht e a coletânea
Nova Ordem Musical, que junta várias iniciativas
eletrônicas e pop da música brasileira atual.
De quebra tem resenha do livro Tem Mais Samba (Das Ra?izes
à Eletrônica), de Tárik de Souza,
que ajuda a entender como o samba não pereceu e continua
influenciando os mais diferentes estilos da música
brasileira. Confira...