O talento, segundo a crendice popular, é medido em
suas palavras. Dave Gahan, provavelmente, pode ser encarado
como um bom exemplo de alguém que tenha carisma, vocal
e uma personalidade singular, o que faz dele, um astro, sem
a menor sombra de dúvidas.
Desde a sua origem, leia-se Essex, pequeno recôncavo
da borbulhante Inglaterra, Dave sempre apontou para o estrelato.
Em mais de 20 anos junto ao Depeche Mode e depois de diversos
hits que levaram muita gente chorar, dançar e, talvez,
refletir, ele aparece com o seu primeiro disco solo intitulado
sugestivamente como Paper Monsters, lançado
por aqui, via Virgin. Como a voz do Depeche, Dave acompanhou
a trajetória techno pop dos
anos 80 e figurou como ídolo dos tormentosos anos 90.
No entanto, segundo ele mesmo, fazer parte do Depeche Mode
o havia reduzido apenas como vocal, apenas como elemento de
um grupo que não permitia ampliar a sua personalidade.
Verdade ou mentira, a oportunidade para que ele pudesse expressar
seus verdadeiros sentimentos, agora, podem ser realmente apreciados
em um CD composto por 10 faixas que algumas vezes, remete
um pouco a origem do próprio Depeche Mode.
O título do CD é uma alusão ao antigo
apetite por destruição de Dave, mas mais especificamente
aos demônios do cotidiano, leia-se agonias e êxtases
do amor duradouro até a euforia desgostosa da paternidade.
O álbum abre com Dirty Sticky Foors, uma música
que permeia entre o rock e o groove típico desse homem
que consegue, através da sua voz, passear entre o sofrimento
e climas de night club. Hold On e A Little Piece lembram
um pouco a fase do Depeche, em Violator. Black and
Blue Again tem clima de estrada, tipo fuck the problems.
Enquanto Stay implora que você sofra cada segundo,
tamanha beleza. I Need You se apresenta de forma chique
favorecendo que você dê um upgrade à sua
vida. Pieguices à parte, o disco se completa pela sua
elegância fluindo tranqüilamente entre a luxúria
e a espiritualidade que pode ser conferida em Goodbye.
Paper Monsters mostra que Dave Gahan apenas confirmou
o que ele sempre foi: Um astro com um vocal que traduz a realidade
de um tempo em que não existe raças, idades,
dores, alegrias ou sofrimentos. Tudo é percepção
e crendice.
P.S. No site oficial www.davegahan.com é possível
assistir ao primeiro vídeo single I Need You.
Quando
a voz ultrapassa os tempos
O final dos anos 90 foi pego de surpresa com um vocal que traçou
a trajetória do, até então, trip-hop. A
dona deste mesmo vocal chama-se Beth Gibbons, o ser que provou
que o sofrimento pode não ser tão ruim. Frente
ao Portishead, Beth quando apareceu com o hit Sour Times
fez as estruturas do universo pop tremer, tamanha profusão
de grooves e lamentos. Por aqui, finalmente, o povo terá
a chance de entender tamanho potencial dessa mulher. Dia 30
de outubro, ela se apresenta no TIM Festival Rio De Janeiro.
A confirmação está disponível no
seu site oficial www.bethgibbons.com.
Substituindo o Free Jazz, o Tim Festival acontece, primeiramente,
no Rio de Janeiro e, apenas em 2004, realiza sua edição
em São Paulo. Segundo Giorgio della Seta, presidente
da Telecom Itália América Latina, controladora
da TIM Brasil, investir na música é um dos grandes
projetos da empresa. A prova é a retomada da construção
de um auditório de música no Parque do Ibirapuera,
desenhado em 1954, pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que projetou
o espaço para a comemoração do quarto centenário
de São Paulo, mas a obra não ficou pronta em tempo
e jamais foi concretizada. Existe a previsão de que o
projeto seja inaugurado no aniversário de 450 anos da
cidade, em janeiro de 2004.
Voltando à Beth Gibbons, após cinco anos hibernada
e com um futuro incerto do Portishead, ela chamou o amigo Rustin
Man (ou Paul Webb, ex-integrante do grupo 80s Talk Talk),
para realizar o CD Out Of Season, cujas faixas podem ser ouvidas
em seu site oficial. O disco foge de modernices e blips. O DJ
dá lugar para orquestrações verificadas
nas faixas Tom The Model e Romance, em Mysteries, Beth revela
o quanto ama a vida, em Funny Time Of Year, percebe-se
calafrios em climas que pulverizam qualquer dia ensolarado mas
não menos interessante. Como o CD por inteiro, assim
como o título, ele não deve ser encarado por épocas
ou modismos.
Generation
X + Y = 2004.
O fim de 2003 tá quase chegando e, também quase
sem surpresas. Como na vida tem solução, uma das
esperanças no universo musical veio com o novo álbum
do The Dandy Warhols, Welcome To The Monkey House.
Lançado no dia 8 de agosto, o CD está cheio de
surpresas. Primeiro, tem co-produção de Nick Rhodes
e, believe it or not, back vocal do excelente Simon Le Bon,
líder do Duran Duran. A propósito, ambos pertencem
ao Duran Duran.
Em seu terceiro álbum, a banda saltou de um culto indie,
para o sucesso. Lançado aqui, pela EMI, Welcome To
The Monkey House, mostra que o seu vocalista Courtney Taylor
Taylor parece estar se lixando para o mundo,
para o que os outros vão pensar e para a crítica
especializada. Só isso explica um disco tão bacana
como Welcome To The Monkey House. Em seus discos anteriores,
Come Down (1997) e o excelente Thirteen Tales From Urban
Bohemia (2000), o que parecia ser apenas uma revolução
britsh pop, The Dandy Warhols volta uma década para presentear
o mundo com o álbum mais anos 80 desde os anos 80.
Nick Rhodes, responsável pela co-produção
toca teclados em muitas faixas e trouxe o amigo Simon Le Bom
para fazer backing em Plan A. As participações
não param por ai: Nile Rodgers, guitarrista do Chic,
esmerilha seu
instrumento em I Am A Scientist e o ex-Lemonheads (ou
o Lemonheads em si) Evan Dando divide a composição
de You Were The Last Night com Courtney, única
parceria presente no disco (todas as outras músicas são
do
vocalista/guitarrista).
A referência retrô não se restringiu às
canções. Para a capa, a banda uniu os dois mais
famosos trabalhos artísticos de Andy Warhol no rock:
a banana do álbum Velvet Underground & Nico (1967)
com o zíper de StickFingers, dos Rolling
Stones (1971) em um resultado esteticamente moderno e bacana.
Os destaques do disco ficam nas mãos da quarta faixa,
The Dope (Wonderful You) e da quinta, I Am A Scientist,
bem com cara de festa. A propósito, a faixa de abertura
com o título homônimo é multimídia
com umas imagens bem legais da banda.