Morre Robert Moog, pioneiro dos sintetizadores
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| Robert Moog, pioneiro dos sintetizadores |
Parece até premonitório... Há duas semanas o Bitsmag publicou uma matéria sobre o documentário Moog, de Hans Fjellestad, que acaba de ser lançado em DVD e fomos surpreendidos com a notícia de sua morte.
Robert Moog, criador do sintetizador que leva seu nome, morreu nos Estados Unidos no domingo, 21 de agosto, de tumor cerebral. O músico e inventor tinha 71 anos e morreu em sua casa, na cidade de Ashville, na Carolina do Norte. No auge da popularidade dos sintetizadores Moog bandas de música eletrônica e rock progressivo como Yes, Tangerine Dream, Kraftwerk e Emerson, Lake and Palmer construiram suas sonoridades com base nos timbres dos aparelhos criados por Robert Moog, tanto que seu nome acabou associado a todo e qualquer som criado em sintetizador, o que é um erro.
Os primeiros instrumentos criados por Robert Moog eram voltados para o uso em estúdios de gravação. Com o tempo ele foi criando máquinas menores para serem usadas em palco, já que as bandas de rock cada vez mais usavam sintetizadores em seus shows. Foi assim que surgiram o Minimoog e o Micromoog. Moog extendeu sua linha de produtos com instumentos polifônicos. Mesmo assim a concorrência de companhias como a Yamaha, Roland, Arp e outras ficou cada vez mais acirrada, com sintetizadores cada vez mais baratos, menores e mais leves.
Robert Moog era novaiorquino do Queens e estudou piano na infância, porém seu maior interesse era a física. Nos anos 40, aos 14 anos, construiu um theremin a partir de modelos descritos em uma revista. O theremin é um aparelho criado pelo russo Leon Theremin nos anos 20 que permite que os músicos possam criar sons com suas mãos através de apetrechos metálicos. Foi criando esses aparelhos que Robert Moog montou sua primeira empresa e ao mesmo tempo estudava na universidade. Em 1965 seu negócio começou a dar lucro e ele passou a trabalhar com o compositor Herbert Deutsch em seus primeiros modelos de sintetizador. Com estes apetrechos um músico podia imitar sons de instrumentos acústicos ou criar sons eletrônicos. Um teclado acoplado permitia que o músico controlasse os tons e os ritmos. O feedback dos artistas era essencial no trabalho de Robert Moog.
O filtro Moog, hoje famoso e até revisitado em sonoridades de bandas como Air, foi sugestão de vários músicos. O sintetizador Moog ficou tão famoso nos anos 60 que departamentos de música de universidades criaram laboratórios para estudá-lo. Mas foi um disco lançado na época que tornou o Moog conhecido no mundo todo, Switched on Bach, de Walter Carlos (que hoje atende pelo nome de Wendy Carlos, depois de uma operação de troca de sexo). As músicas de Switched on Bach foram criadas para mostrar que era possível compor música com os sons das máquinas, os sintetizadores. Na sequência Carlos transcreveu Purcell e Beethoven para a trilha de Laranja Mecânica, o filme de Stanley Kubrick.
Entre os primeiros roqueiros a utilizar os sintetizadores Moog estão os Monkeys, em 1967, com o disco Pisces, Acquarius, Capricorn e Jones, Ltd. George Harrison tinha um Moog instalado em sua casa e em 1969 lançou um disco com suas experiências, chamado Electronic Sound. Os Beatles usaram o Moog em várias faixas do álbum Abbey Road, como no clássico Here Comes the Sun. Entre os músicos de jazz os pioneiros no uso do Moog foram Herbie Hancock, Jan Hammer e Sun Ra. Com o rock progressivo o som do Moog se tornou onipresente.
Em 1971 Robert Moog vendeu sua empresa, Moog Music, para a Norlin Musical Instruments Inc, mas continuou a criar instrumentos para esta empresa até 1977. No ano seguinte mudou-se para a Carolina do Norte e criaou uma nova empresa a Big Briar. Em 2002 renomeu a empresa Moog Music, quando comprou o nome de volta da Norlin. Trabalhou também como consultor e vice presidente de novos produtos para a Kurzweil Music Systems, de 1984 a 1988.
Em 2004 o Hans Fjellestad filmou o documentário Moog, que acaba de ser lançado em DVD. Veja resenha abaixo:
Moog: Documentário resgata história do sintetizador
Quem se liga em produção de música eletrônica hoje em dia já parou pra reverenciar um dos primeiros aparatos utilizados em produção musical, o sintetizador Moog. O nome vem de seu criador, Robert Moog e o brinquedo data de 1953. Acaba de sair nos Estados Unidos em DVD o documentário Moog, de Hans Fjellestad. Como foi que o aparato ou mesmo geringonça passou a ser considerado um instrumento musical nos últimos 40 anos é o moto do documentário onde Moog, ele próprio, explica a questão à exaustão com ajuda de grandes tecladistas e produtores musicais de várias estilos como Keith Emerson, do grupo de rock progressivo Emerson, Lake and Palmer, que usava em seus shows um moog das antigas, que parecia mais um objeto de cenário de filme trash sci-fi dos anos 50.
Desde 1965 os sintetizadores em geral, incluindo novos modelos como o Minimoog e o Micromoog, foram diminuindo de tamanho e ganhando em sofisticação. Mais e mais músicos passaram a usar sintetizadores e um novo vocabulário de sons foi sendo injetado na música pop. O documentário não tem só papo. Tem várias cenas de shows com gente como Money Mark e Mix Master Mike, o funkeiro Bernie Worrell, Rick Wakeman do Yes e o Stereolab. Faltou nomes de peso da produção musical eletrônica e seus primordios como o Tangerine Dream, o Karftwerk ou Giorgio Moroder.
Moog é mais um título indispensável na “dvdteca” de qualquer aficcionado por música eletrônica ao lado de Modulations, da brasileira Iara Lee, que faz um apanhado da música eletrônica desde os primórdios, Scratch, que foi exibido recentemente na TV a cabo brasileira e mostra a arte dos efeitos das picapes, e por final Theremin: An Electronic Odissey, que fala sobre o compositor-inventor russo que foi capturado pela polícia secreta russa KGB nos anos de Guerra Fria, depois de se tornar um sucesso internacional como músico e inventor .
Fontes: The New York Times e Wired
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